domingo, 14 de outubro de 2018

Brasil: a única certeza é a de que não há certeza alguma...


O clima eleitoral no Brasil se intensifica em tensões e toma nuances de uma guerra de desinformações sem precedentes nas eleições brasileiras, contando com meios de comunicações modernos, o uso de redes sociais e aplicativos que permitem uma comunicação instantânea, as relações com o pleito tomou formas de um conflito entre pessoas que antes não tomariam partido no processo eleitora. Há um clima de tensão e de divisão do país, notadamente por uma questão: As urnas eletrônicas – sinônimo de agilidade e rapidez no processo de apuração – foram ou não fraudadas?

            Entre declarações de autoridades dos três poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), petições de candidatos e membros da sociedade civil organizada, manifestações de empresas de auditoria e presidência dos muitos partidos políticos existentes no Brasil há quem ateste a segurança das urnas eletrônicas, afirmando que tais dispositivos não estão conectados à rede mundial de internet. Do outro lado dos que afirmam que tal sistema de processamento de dados não é seguro, uma vez que o programa empregado pelos equipamentos não poderia ser auditado na sua totalidade – tese que faz muito sentido – o que inviabilizaria a total certeza de que os votos em regiões mais distantes do Brasil (um país de proporções continentais) não seriam fruto de manipulação. Tais dúvidas se somam, e ganham musculatura, após a tentativa de assassinato do candidato mais popular da história recente do Brasil. País este que passou por um processo de purga, no qual a maior parte da velha representação política está respondendo processos penais e cíveis ou, está presa na “República de Curitiba”, cidade essa que ficou internacionalmente conhecida por sediar a estrutura criminosa de lavagem de dinheiro que abasteceu um esquema criminoso que imperou no território nacional por mais de 13 anos.

            A certeza é que essas eleições tem todos os elementos para de um filme de terror, com cenas de um romance de espionagem e traços de um humor negro. Enquanto o processo todo se desenrola, e o Brasil caminha para o segundo turno a única certeza que há é, a de que o país do mensalão e do jeitinho quer renovações, a escala da pobreza cresce, a insatisfação popular se acumula e o cidadão médio – vítima inocente da guerra (por enquanto) de desinformação – se vê acossado por toda sorte de propaganda direta e indireta, restando apenas uma única certeza sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro... a dúvida. A incerteza sobre sua segurança e confiabilidade. Se houve, ou haverá fraude, apenas em um futuro muito distante saberemos. Há no entanto uma certeza... O Brasil não será o mesmo, depois dessas eleições.



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