quinta-feira, 27 de junho de 2019

O diabo mora nos detalhes.

O raciocínio lógico e dedutivo como método necessário para efetivamente realizar uma boa investigação, acusação ou defesa.

A quem interessa? Sempre que me deparo com um caso complexo, no qual o réu afirma categoricamente sua inocência eu me deparo com essa pergunta martelando meu cérebro: A quem interessa?

Posso afirmar que aprendi o que sei sobre investigação criminal nas aulas de arqueologia, com a professora Lizete Oliveira no curso de História da ULBRA, nos anos de 2003/4. Esta mestra da história nos apresentou o homem que influenciou o brilhante autor britânico Arthur Ignatius Conan Doyle, pai do célebre detetive Sherlock Holmes, o historiador e político Giovanni Morelli.

Os anos sucederam-se, cursei História, me formei no curso de Ciências Jurídicas e Sociais, o crime mudou de forma, tornou-se mais cruento, os motivos aparentemente se tornaram mais banais, o espírito desses novos tempos se tornou mais simplório, mas a alma humana não progrediu muito. O raciocínio lógico e dedutivo ainda funciona muito bem, embora não esteja conectado a algum servidor em um país qualquer.



Morelli criou um método próprio para analisar obras de artes, e identificar as obras que foram falsificadas com um grande grau de sucesso. O método – aparentemente simples – baseia-se em analisar os detalhes, observar as formas e encontrar um padrão que se oculta nos detalhes mais intrínsecos do caso, e escapam a uma primeira leitura dos fatos, dos eventos que redundaram no resultado final (no nosso caso, o crime que originou o processo).

O tempo passa, as ciências evoluem, nosso sistema legal tornou-se um sistema no qual cada dia mais se exige perspicácia do operador do direito (advogados, delegados, promotores ou juízes), colaboração e confiança do cliente (no caso dos advogados) e muita competência para interpretar cada artigo, cada jurisprudência e entendimento dos tribunais superiores. Mesmo com todo aparato tecnológico, com todos métodos de “arapongagem” sempre que nos deparamos com qualquer caso devemos nos perguntar: “A quem interessa?”. Quem se aproveita daquela situação, como algo pode interessar a alguém, o que os envolvidos ou suspeitos ganham?

Casos aparentemente complexos muitas vezes se revelam eventos simples, e facilmente solucionáveis. De outro lado, alguns casos que parecem simples e dedutíveis se convertem em um enredado novelo de lã repleto de pontas soltas e nós, inicialmente impossíveis de serem desfeitos encontram uma solução acessível, se empregarmos a lógica e dedução científica.