O diabo mora nos
detalhes.
O raciocínio lógico e dedutivo como método necessário para efetivamente realizar uma boa investigação, acusação ou defesa.
A quem interessa?
Sempre que me deparo com um caso complexo, no qual o réu afirma
categoricamente sua inocência eu me deparo com essa pergunta
martelando meu cérebro: A quem interessa?
Posso afirmar que
aprendi o que sei sobre investigação criminal nas aulas de
arqueologia, com a professora Lizete Oliveira no curso de História
da ULBRA, nos anos de 2003/4. Esta mestra da história nos apresentou
o homem que influenciou o brilhante autor britânico Arthur Ignatius
Conan Doyle, pai do célebre detetive Sherlock Holmes, o historiador
e político Giovanni Morelli.
Os anos
sucederam-se, cursei História, me formei no curso de Ciências
Jurídicas e Sociais, o crime mudou de forma, tornou-se mais cruento,
os motivos aparentemente se tornaram mais banais, o espírito desses
novos tempos se tornou mais simplório, mas a alma humana não
progrediu muito. O raciocínio lógico e dedutivo ainda funciona
muito bem, embora não esteja conectado a algum servidor em um país
qualquer.
Morelli criou um
método próprio para analisar obras de artes, e identificar as obras
que foram falsificadas com um grande grau de sucesso. O método –
aparentemente simples – baseia-se em analisar os detalhes, observar
as formas e encontrar um padrão que se oculta nos detalhes mais
intrínsecos do caso, e escapam a uma primeira leitura dos fatos, dos
eventos que redundaram no resultado final (no nosso caso, o crime que
originou o processo).
O tempo passa, as
ciências evoluem, nosso sistema legal tornou-se um sistema no qual
cada dia mais se exige perspicácia do operador do direito
(advogados, delegados, promotores ou juízes), colaboração e
confiança do cliente (no caso dos advogados) e muita competência
para interpretar cada artigo, cada jurisprudência e entendimento dos
tribunais superiores. Mesmo com todo aparato tecnológico, com todos
métodos de “arapongagem” sempre que nos deparamos com
qualquer caso devemos nos perguntar: “A quem interessa?”. Quem se
aproveita daquela situação, como algo pode interessar a alguém, o
que os envolvidos ou suspeitos ganham?
Casos aparentemente
complexos muitas vezes se revelam eventos simples, e facilmente
solucionáveis. De outro lado, alguns casos que parecem simples e
dedutíveis se convertem em um enredado novelo de lã repleto de
pontas soltas e nós, inicialmente impossíveis de serem desfeitos
encontram uma solução acessível, se empregarmos a lógica e
dedução científica.

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